22.03.2016 – Praia de Matosinhos, Portugal

 

 

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Mónica Araújo
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Adriana Romero

 

Recolhi a minha amostra de água de uma pequena cascata que começa no cimo do Monte Bom Jesus, e que desliza até à parte mais baixa do monte, bem perto de minha casa, onde se divide em vários riachos que vão irrigar os terrenos das pequenas quintas que se estendem mesmo em frente a minha casa. Realizei esta acção num dos (infelizmente cada vez mais raros) passeios que faço pelo monte, e recolhi a água numa das zonas mais íngremes, provavelmente para adicionar alguma emoção ao momento, mas também porque é um dos locais em que o riacho se mostra com mais imponência e beleza. Desejo que esta água continue a existir na original pureza em que foi removida.

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I collected my water sample from a small waterfall that starts at the top of Monte Bom Jesus, and slides to the lowest part of the hill, right next to my house, where it divides into several streams which irrigate small farms that stretch right in front of my house. I performed this action in one of the (unfortunately increasingly rare) walks that I make through the hill, and took the water in one of the steepest areas, probably to add some excitement to the moment, but also because it is one of the places where the stream is shown with more grandeur and beauty. I wish this water continues to exist in the original purity it had when removed.

 

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Tiago Madaleno

 

“Água retirada do riacho mais perto de minha casa, como quem sobe para o monte, na Rua de Figueiredo.”

 Foram transportados três litros de água ao longo de um dia numa caixa de acrílico transparente. 
Após ter sido recolhida de um riacho perto de casa, a cerca de 1,6 km de distância, foi procedida, durante o interregno de um dia, uma viagem pelo Porto que iria terminar na praia de Matosinhos, a 18, 4 km do destino inicial.
Três pessoas que se cruzaram com o caminhante olharam pelo canto do olho para aquele objeto que reluzia com o balançar, respirando de alívio quando perceberam não ser uma bomba. Duas pessoas perguntaram, se o peixe se havia perdido. Duas crianças perseguiram o caminhante tentando perceber qual o objetivo de tal gesto.
Terminara no mar, quando o sol ameaçava desaparecer, diluindo-se na rocha
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“Water collected from the closest stream to my house, as if one goes up to the hill, in Rua de Figueiredo.”

Over one day, three liters of water were transported in a transparent acrylic box.
After it was collected from the closest stream to my house,  approximately 1,6 km distant, it  was proceeded, for over one day, a travel through Porto that finished in the Matosinhos’ beach, about 18,4 km from original start.
Three people that passed through the walker, looked from the corner of the eye to that object that shines with the swing, felt relived when understood that it was not a bomb. Two persons asked if the fish was lost. Two children followed the walker, trying to understand what the goal of that gesture was.
Finished in the sea, when the sun threatened to disappear, melting in the stone.

 

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Margarida Ramos

“O mar da praia de Matosinhos”

É a praia – aquele lugar onde volto a encontrar-me em sintonia quando rodeada de mar. Que maravilha sentir-me parte desta criação, numa proximidade de azul – de mar e de céu, de luz, de calor do sol e de frio da água! Entro no mar, entro em diálogo, falo e escuto interiormente.
À noite: a mesma praia, as ondas que rebentam, a água que se funde num mar imenso. A noite e as ondas abrem-se ao luar, que lhes devolve o brilho no meio da escuridão. A cidade ficou longe pela singularidade que o momento encerra. Saboreio este encontro, encantada.
Não entro no mar, agora vestida de noite, de frio, de distância entre corpo e elemento: antes recolho a água, como se o mar se pudesse dividir, separar, encontrar uma unidade. Encho a garrafa, aquela que me acompanha no dia-a-dia, com água para beber – a mesma garrafa com águas diferentes, com outras memórias de contacto com o corpo. Águas essenciais que procuro e encontro e me ligam à Vida.

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“The sea from Matosinhos’ beach”

The beach – the place where I can find myself again, get in tune, surrounded by the sea. What a wonder to feel that I am part of this creation, in a closeness to the blue – the sea and the sky, the light, from the warmth of the sun to the coldness of the water! As I enter into the sea, I enter into a  dialogue, I speak and I listen internally.
At night: the same beach, the waves breaking, the water that is merged in an immense sea. The night and the waves open themselves to the moonlight, that restores their light in the darkness. I feel the city far away due to the singularity the moment encloses. I savour this encounter, enchanted.
I do not enter the sea, now that I am dressed with night, cold, distance from body and element: instead I collect the water, as if the sea could be divided, separated, and found in a single unity.  I fill the bottle, the one that accompanies me throughout the days, with water to drink – the same bottle with different waters, with different memories of contact with my body. Essential waters which I look for and find and that connect me to Life.

 

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Joana Patrão

“Riacho em Vila Frescaínha de São Martinho, Rua Casal do Nil”

Procurei a fonte natural de água mais próxima de onde vivo e à qual nunca tinha ido. Procurei esta informação junto de pessoas mais velhas, mais conhecedoras destes segredos.
Em vez de me focar no simbolismo que o local poderia ter para mim, encarei esta experiência como uma forma de descoberta, descobrir a água que sempre esteve próxima (pelo menos geograficamente) ainda que nunca nos tenhamos encontrado.
Penso nisso quando a vejo, um pequeno riacho, frágil, escondido. Flui à beira da estrada, onde se passa ignorando a sua existência. Reparo numa queda com uma força impressionante. Procuro recolher a água desta força, procurando com isto recolher a força em si mesma. Ao interromper este fluxo a água forma um remoinho dentro do frasco. Lembro-me dos estudos de Viktor Schauberger sobre as qualidades purificadoras do movimento natural da água em vórtice. Espero guardar também esta capacidade purificadora.

Guardo este frasco, que momentaneamente se tornou parte do curso deste riacho, através do qual a água fluiu. Mais do que a água que continha tornou-se numa testemunha do seu fluir. Uma testemunha deste primeiro encontro.

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“Rivulet in Vila Frescaínha de São Martinho, Rua Casal do Nil”

I searched for the natural water source that was closest to were I live and to which I had never gone. I got this information from elder ones, people that know better this secret places.
Instead of going after a place with a special simbolism to me, I understood this experience as a was of discovery,  discovering the water that was always nearby (at least geographically) even though we never found each other.
I think about that when I see it, a small rivulet, fragile, hidden close to the roadside. where everyone passes without noticing it. I observe a small waterfall with a great strenght. I decide to collect this water, aiming with this to collect the strenght in itself. As I break in this flux the water forms a swirl inside the flask that I present it. I remember Viktor Schauberger studies about the purifying qualities of the natural vortex movement of water. I hope I am collecting also this purifying quality.

I keep this flask, that momentaneously became part of this rivulet’s course, something through which the water flowed. More than the water it carried it became a witness of its flow. A witness of this first encounter.

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